por Eduardo Klausner

segunda-feira, 15 de junho de 2026

HOMENAGEM AO GRANDE SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA POR OCASIÃO DA SUA FESTA EM 13 DE JUNHO DE 2026


 Aparição do Menino Jesus a Santo Antônio de Pádua,1627-30

  • AUTOR:
    Francisco de Zurbarán
  • DADOS BIOGRÁFICOS:
    Fuente de Cantos, Espanha, 1598-Madri, Espanha ,1664
  • TÍTULO:
    Aparição do Menino Jesus a santo Antônio de Pádua [?]
  • DATA DA OBRA:
    1627-30
  • TÉCNICA:
    Óleo sobre tela
  • DIMENSÕES:
    160 x 105 x 3 cm
  • AQUISIÇÃO:
    Doação Santos Vahlis, 1952
  • DESIGNAÇÃO:
    Pintura
  • NÚMERO DE INVENTÁRIO:
    MASP.00168
  • CRÉDITOS DA FOTOGRAFIA:
    João Musa

Desconhece-se inteiramente a proveniência da obra Aparição do Menino Jesus a Santo Antônio de Pádua(?), que emerge no mercado no início da década de 1930, talvez oriunda de uma coleção italiana. Em 1952, quando foi doada ao museu, estava exposta na Galeria Matthiesen. A atribuição a Zurbarán é de Roberto Longhi, em expertise assinada em janeiro de 1933 no verso de uma fotografia da obra, conservada na documentação do museu: “Obra característica de Francisco de Zurbarán. Comparável pictoricamente aos quadros do ciclo de São Boaventura (especialmente com os funerais do santo, no Louvre) e por isso datável por volta de 1630. Espiritualmente é quase um pendant místico do São Francisco em Oração da National Gallery de Londres, a quem bem acompanha de fato essa extática figura do outro grande personagem franciscano, Santo Antônio de Pádua com a visão do Menino Jesus”. Em 1952, a atribuição e a data são reiteradas independentemente por Martin Soria, que a data de 1626-1629, acreditando contudo tratar-se da representação de um São Francisco: “Trata-se da primeira versão conhecida do artista daquele santo, o qual ulteriormente viria a pintar mais oito, todos em poses diferentes. (...) Talvez a obra tenha sido realizada quando Zurbarán começou a trabalhar para a igreja franciscana de São Boaventura em 1629”. A dúvida quanto à iconografia é reforçada por Guinard, que nota como a tipologia fisionômica da figura aproxima-a antes de Francisco (1181-1226) que de seu correligionário português (1195-1231). Camesasca, enfim, retorna com força demonstrativa à tese de que talvez se trate de um Santo Antônio. Tratar-se-ia assim da representação da cena em que Santo Antônio, em sua cela, durante uma viagem de predicação pela França por volta de 1225, recebe uma visão do menino Jesus em uma nesga de luz por entre as nuvens. Introduzido na iconografia do santo no âmbito da Contra-Reforma, este atributo do Menino Jesus, às vezes representado no colo da Virgem, outras, sobre o livro de orações do franciscano, converte-se em seu mais distintivo signo no século XVI, nomeadamente, como nota Camesasca, na pintura ibérica e flamenga. Os demais atributos, como o livro e os lírios, reforçariam a identificação do tema. Sem recusar a força persuasiva da argumentação de Camesasca, parece prudente não excluir definitivamente a dúvida: o estreito paralelismo biográfico existente entre os dois santos, resultante das rivalidades entre o franciscanismo de Assis e o de Pádua, levou a diversas contaminações recíprocas de ambas as iconografias, tornando por vezes difícil, quando não impossível, distinguir de modo inequívoco entre as duas. Há, assim, não poucas representações de São Francisco com a visão do Menino Jesus, inclusive no catálogo do próprio Zurbarán, como é o caso da obra conservada outrora na coleção do Spencer-Churchill, em Northwick Park, Blockley, Gloucestershire, apresentada à Christie’s de Londres em 1965 (Apollo, 1965). A reforçar tal ambigüidade está também o fato, já apontado por Guinard, de que as feições da figura aproximam-na de São Francisco. Camesasca assinala a composição ostensivamente alheia à sintaxe clássica, com seus três núcleos figurais desconexos, unificados todavia pela luz que não circula, mas é obrigada a concentrar-se onde o pintor a requer. Observe-se, ademais, o contraste entre, de um lado, o livro e o escorço das mãos, descritos com nitidez quase ferina, e, de outro, as vestes do santo que ondeiam lentamente o espaço, traduzindo-o em um jogo afetuoso de valores luminosos. Se o livro aberto é um poliedro, uma forma em si, dotada da objetividade quase alucinatória das naturezas-mortas de Zurbarán, ele aparece paradoxalmente na representação como elemento de uma narrativa: o fato mesmo de estar aberto no chão sugere que o santo, até então compenetrado em sua leitura, abandonou-o incontinenti, para apor as mãos, ao ser supreendido pela visão divina. É inevitável assim a conotação de uma subordinação da meditação teológica à experiência direta do divino, do movimento da reflexão à extática da visão, topos fundamental da mística de San Juan de La Cruz.  [...]Uma foto mantida na documentação do museu traz em seu verso uma expertise de A. Mayer, na qual o estudioso caracteriza a obra como: “autógrafa de Francisco de Zurbarán por lhe ser característica no mais elevado grau, e datável dos anos 1635-1642. Reservo-me o direito de publicação. A imagem provém, segundo indica minha antiga documentação, da coleção de Don José Suárez de Sevilha”. Pietro M. Bardi considera a obra, em dois manuscritos da documentação do museu, de um artista próximo a Zurbarán, opinião mantida neste catálogo. 


— Autoria desconhecida, 1998

Fonte: Luiz Marques (org.), Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo: MASP, 1998. (reedição, 2008).

SOBRE FRANCISCO ZURBARÁN, O AUTOR DO QUADRO

Desde 1614, foi colocado pelo pai no ateliê do pintor Pedro Diaz de Villanueva (1564-1654) em Sevilha. Três anos depois já atuava como mestre em Llerena na Extremadura, onde viveu durante mais de dez anos, enviando numerosas obras para importantes instituições religiosas da cidade andaluza. Ali se estabeleceu em 1629 a convite da municipalidade, a serviço das poderosas congregações monásticas sevilhanas, tornando-se o intérprete de sua espiritualidade dramática. Suas imagens severas, embora inspiradas no realismo de Caravaggio (1571-1610), representam a iluminação do êxtase e da visão mística; as figuras são frequentemente isoladas num espaço indeterminado que as torna mais impactantes e intensas pelo enérgico relevo das formas cinzeladas sobre o fundo escuro por violentos contrastes de luz. Aparição do menino Jesus a santo Antônio de Pádua (?) (1627-30) é um exemplar do estilo tenebrista de Zurbarán: um único foco ilumina a cena sombria. Não há consenso sobre qual seja o santo retratado, já que alguns atributos da figura poderiam indicar são Francisco, outros, santo Antônio de Pádua. O livro aberto sugere que o santo, que era um intelectual, foi interrompido pela visão divina do menino Jesus surgindo entre as nuvens. O lírio branco, símbolo da pureza, demonstra a vocação espiritual de suas leituras.

— Equipe curatorial MASP, 2017



segunda-feira, 8 de junho de 2026

"F L O R E S T A"











 

Esta obra de arte é da autoria de Eduardo Antônio Klausner, denomina-se "FLORESTA" e foi realizada com lápis grafite sobre papel para desenho de 180g, tamanho A4, em janeiro de 2026.

"O encanto da 'Floresta' está em atravessá-la rumo ao seu objetivo, enfrentando suas incertezas, desafios e belezas, sempre iluminado pela luz de Nosso Senhor Jesus Cristo. O lugar da “Floresta” pode ser físico, psíquico ou espiritual; o importante é manter a fé e desfrutar da jornada".

Atualmente esta obra pertence a uma coleção particular. 


terça-feira, 2 de junho de 2026

Legal Protection of Brazilian Consumers in Disputes Arising from Cross-Border Consumer Transactions

 https://doi.org/10.21684/2412-2343-2025-12-2-65-87


ABSTRACT

This article analyses the development of Brazilian consumer protection in disputes involving cross-border consumer transactions through the lens of private international law in light of the growing impact of economic globalisation, which has encouraged the consumption of foreign goods and services. To achieve this objective, the study employs two methodologies: the dogmatic method, which involves the analysis of relevant norms at the international and domestic levels, and the empirical method, which examines the leading cases and other judicial cases that reflect prevailing jurisprudence on the matter. The article also examines legislative bills and treaty drafts that are aimed at the future regulation of consumer protection at the international level.

Os direitos humanos dos povos indígenas da Volta Grande do Xingu afetados pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte

 https://www3.tjrj.jus.br/ojs/RevistadeDireito/article/view/4

Vista do Os direitos humanos dos povos indígenas da Volta Grande do Xingu afetados pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte

s comunitárias, incorporando um amplo

terça-feira, 8 de março de 2022

Rui Barbosa: Paraninfo Perpétuo da Academia Fluminense de Letras por Eduardo Antônio Klausner

 Para acessar o artigo na Revista Eletrônica da Academia Fluminense de Letras, ano 2, n. 6, novembro de 2021:


https://www.academiafluminensedeletras.org.br/_files/ugd/b770db_11732454de4b467b92b6c1e2ebdea650.pdf

Sumário: 5 de Novembro – Dia Nacional da Cultura e da Língua Portuguesa 7 Waldenir de Bragança. Rui Barbosa: Paraninfo Perpétuo da Academia Fluminense de Letras 9 Eduardo Antônio Klausner. Homenagem / Saudades – Robert Preis 12 Comissão de Redação Homenagem / Saudades – Tarcísio Padilha 13 Pinheiro Junior Agradecimentos 14 ACADEMIA EM AÇÃO 49º JOGOS FLORAIS DE NITERÓI – 2021 16 Comissão de Redação Convite para a XIV Jornada Cultural da FALERJ 17 Informes Culturais – Atividades AFL 18 Márcia Maria de Jesus Pessanha MEMÓRIA Alberto Lamego 21 Célio Erthal Rocha Armando Vaz Teixeira 23 Comissão de Redação Waldenir de Bragança Élio Monnerat Solon de Pontes 25 Comissão de Redação Márcia Maria de Jesus Pessanha Levi Fernandes Carneiro 26 Comissão de Redação Waldenir de Bragança Maurício de Lacerda 28 Maria do Carmo Soares Cordeiro TEMPLO DA PALAVRA 15 de Setembro - Dia da Musicoterapia e do Musicoterapeuta 31 Deila Ferreira Scharra 104 Anos da Academia Fluminense de Letras 32 Alba Helena Corrêa De Braços Abertos: Aniversário do Cristo Redentor 33 Waldenir de Bragança Defesa do Idioma Nacional 35 Alba Helena Corrêa O Respeito à Língua Portuguesa 35 Eneida Fortuna Barros NITERÓI HISTÓRIA E POESIA O Museu Trancado 38 Erthal Rocha Niterói, minha paixão 40 Ércules Lamego O Sorriso de uma Cidade 41 Márcia Maria de Jesus Pessanha Reminiscências 42 Alba Helena Corrêa SAUDAÇÃO Saudação ao Acadêmico Honorário Antonio Claudio Lucas da Nóbrega 45 Waldenir de Bragança OBRAS DOS ACADÊMICOS O Jardim Inglês de Sylvio Lago 47 Comissão de Redação Encontros de Franci Darigo com a História 47 Comissão de Redação AUTORES DESTE NÚMERO 49 NOMINATA Classe de Letras 53 Classe de Belas Artes 55 Classe de Ciências 56 Classe de Ciências Sociais 56 Membros Honorários 57